2011-10-30

Balanço.



É pra aprender que nem sempre somos agradáveis naturalmente. Mas, também, não me esforço para assim ser, pois, compreendo que a vida é feita de fases que influenciam negativamente ou positivamente no nosso comportamento e mesmo assim não deixam de ser parte desse universo, que é a nossa VIDA. Que venha tudo o que vier, enquanto eu ainda tiver fôlego para recepcionar.



LIBERATO, Rodrigo. Balanço.

2010-11-04

Floco de neve.



Quero pra sempre esse sorriso que dou
quando começo a te olhar.
Quero pra sempre esse perfume de flor

que você deixa no ar.


Sua fala é mansa, e seu sorriso, terno.

Daria tudo que tenho por um abraço eterno.

Não posso te ter todo dia

mas a cada dia ao seu lado,

descubro o que é alegria.

E assim o amor vai brotando,
crescendo e se alimentando.
É a nossa história que agora se escreve,


Para sempre, meu floco de neve...


LIBERATO, Rodrigo. Floco de neve.

2010-05-30

70 endless days.



Deus criou o mundo em 7 dias e ficou feliz com a sua obra-prima.


Eu... han, fui espectador-protagonista do declínio e destruição do meu, porém, em câmera lenta, em um intervalo de tempo não-digno de um Deus. Foram 70 dias de quase-morte. Foram os dias em que eu subia no palco e não havia ninguém ali sentado ou em pé, pra apreciar o meu show. Aos poucos, a inspiração foi acabando... Minhas músicas não tocavam nem mesmo nas rádios locais. "O nosso herói morreu, aguardem detalhes do local do enterro..."

Passei a me sentir como um Deus que foi expulso do Olímpo e escorraçado, arrastado para as profundezas do sub-mundo sem direito a
habeas corpus. Cortaram minhas asas, roubaram meus sonhos e beberam minha alma em um único gole.

Perdi a cor, o riso, o que era preciso pra viver. Vou renascer, denovo, de um ovo, serei monstro dessa vez. É a lei da evolução, quanto mais humano, mais fraco, quanto mais fraco, menos restarão pra contar histórias e lamuriar decepções.

Eis que a corda foi estendida. Voltarei aos céus novamente ou terei minha existência perpetuada nessa terra onde impera a agonia e o desespero? Eu não sei, só sei que tive minha noite no paraíso e nada mais me resta à desejar, senão a extensão eterna desse momento sublime. Tudo tão marcado e o doce sabor na minha boca e o perfume ainda em meu corpo...

Com o pouco de sangue que me resta e a força que ainda sustenta minhas pernas, estou aqui, à espera do meu "and they lived happily ever after..."


LIBERATO, Rodrigo. 70 endless days.

2010-02-22

Naquela noite chovia, uma chuva intensa, todos já estavam recolhidos em suas casas, mas ele vinha andando, cabisbaixo, com seu chapéu borsalino preto encobrindo seus olhos e ambas as mãos dentro dos bolsos do seu sobretudo. Não se ouvia nada além do latido de alguns cachorros vadios e o som da chuva no chão e nas árvores que margeavam a rua. Ele parou em frente a uma casa muito simples, de pessoas aparentemente humildes e esforçadas, à procura de algo através das janelas de um quarto iluminado por velas. Lá estava ela, penteando os cabelos loiros como as pétalas de um girassól, ao passo que se dirigia às velas para apagá-las. Ele abaixou novamente a cabeça por alguns instantes e continuou seguindo na calçada à passos curtos, como se estivesse se arrastando. Não dera muitos passos e ouvio o ranger da porta da frente da casa que observava, se abir, e dela saiu uma mulher com uma beleza tão sublime que era digna de ser embalssamada, vestida em trajes simples, muito humildes, mas algo naquela mulher dava um realce até no simples laço de fita que pusera nos cabelos penteados a la Katharine Hepburn, quando o surpreendeu pelas costas.

Ela- Olhei da minha janela e vi que você estava lá. - Ela disse com um ar entristecido.
Ele- Na verdade eu estava só... de passagem... - Ele disse, cabisbaixo.
Ela- Se estava de passagem, aonde ia? - Perguntou, certa de que ele mentia.
Ele- Eu seguia em um caminho que se distanciava do seu.
Ela- E como se aproximou tanto, se rumava para longe?
Ele- É que eu percebi que não poderia viajar sem tudo que preciso... - Respondeu olhando-a nos olhos marejados.
Ela- E qual a bagagem que lhe falta? Na noite em que me abandonaste, levaste contigo até mais do que deveria.
Ele- Mas não levava o suficiente para sobreviver...
Ela- Mas como vê, já não vivo mais tão bem como quando me deixaste. Só tenho o necessário para sobreviver, infelizmente não posso contribuir com a sua jornada.
Ele- O que vejo, pra mim, é mais do que o suficiente.
Ela- Só enxergo um presente em escombros, vítima de um passado trágico. - Ela disse voltando-se para trás, com lágrimas que misturavam-se com a chuva e escorriam nas maçãs do rosto de linhas tão singelas e perfeitas.
Ele- Eu vim aqui à procura de um sorriso, o mais terno sorriso que meus olhos já repousaram... Descobri que sem ele, sou cego. Vim atrás de duas mãos que possuem um toque de seda, capaz de regenerar as feridas da minha alma. Descobri que sem elas, perco o tato. Vim atrás de uma boca, que no contato com a minha, fazia com que todas as mazelas do mundo não passassem de um simples picar de agulha na ponta do dedo. Descobri que sem ela, perco o gosto, o gosto de enfrentar a vida. -Ele mal conseguia se manter em pé, enquanto tirava seu paletó, seus sapatos de muito fino trato, sua gravata e suas calças. - Agora estou aqui, pronto pra entregar a minha vida em redenção a tudo que lhe fiz, porque minha alma não encontra sossêgo longe da sua, sinto-a fria, como se o único calor capaz de aquecê-la, fosse o calor dos teus braços. Se já perdi a visão, o tato, o gosto e agora minha alma já não cabe mais dentro de mim, o que fica é só a matéria, uma carcaça vazia, que de nada serve. -Enquanto falava, puxava do bolso da única peça de roupa ainda pendurada em seu corpo, um revólver, e apontava-o em direção a lateral da sua cabeça. -Eu vim em busca de mim, de um eu que só existe dentro de você. Ainda que a única coisa que reste a habitar meu corpo podre seja a bala desse revólver, aceito meu carma... -As últimas palavras que desferiu antes de dar com os joelhos no chão e desabar em um choro agonizante, enquanto a chuva forte varria suas roupas rua abaixo, e fazia seu corpo estremecer a cada respiração.
Ela- Não haveria prazer em admirar uma lua-cheia se esta fosse eternamente cheia. -Ela se aproximava daquilo que mais parecia ser um cadáver, e o erguia apoiando-o em seu corpo alvo como as nuvens da manhã, enquanto repousava suavemente suas mãos no rosto do desesperado e olhava-o nos olhos quase fechados. - Ela tem seu lado negro eternamente e o aceita de bom grado. E assim como a lua, as pessoas também possuem um lado negro, e você é o meu, para todo o sempre.

Um beijo sutil e ao mesmo tempo intenso, cheio de saudade e acompanhado de um abraço que parecia esculpido por Deus, sob medida, como se os dois corpos tivessem sido projetados um para outro, o encaixe perfeito dos lábios e o movimento confiante e seguro das mãos, selava de uma vez o sofrimento e a dúvida, enquanto o sol rasgava o céu em dia, e se podia ouvir o cantar dos pássaros, que pareciam em festa, eufóricos, como se prevêssem dias melhores.


LIBERATO, Rodrigo. O lado escuro da lua.

2010-01-06

Palavras ao vento, que o vento as leve.



Eu escrevo porque sei que amanhã o sol pode não nascer. Nossa vida é breve, e por mais grandiosos que sejam nossos sonhos, não somos tão grandiosos quanto eles, tudo pode ir embora como um furacão, ou como uma dose de whisky que desce num tiro certeiro pela goela abaixo, como um cigarro que muitas vezes não nos damos conta de que o fogo já se foi e ficaram apenas as cinzas.


O grande mistério da vida é viver, ainda que sejamos invísiveis aos olhos alheios e que não haja para nós um futuro promissor nessa selva de pedra repleta de tiranos e demagogos... Prefiro permanecer por detrás da cortina, quando ela se fecha, pois é quando estamos sozinhos que o nosso show começa. Eu posso não fazer sentido, mas qual o sentido da vida? Talvez seja simplesmente não fazer sentido e esperar a resposta no fim, pois a gente não vive, começa a morrer...


LIBERATO, Rodrigo. Palavras ao vento, que o vento as leve.

2009-12-15

A saudade é a última que morre.



Onde quer que esteja, pra onde quer que vá, eu sei que no fundo você sente minha presença dentro de você... Talvez um pouco apagada, talvez apenas adormecida, talvez eu apenas queira que isso seja verdade. Pensar em você tem um sabor doce e amargo, amargado pela saudade imensa que sinto e adocicado pelos sonhos maravilhosos em que me encontro com você nos nossos melhores momentos, sentindo nossos melhores sentimentos...

Já não é a primeira vez que falo em saudade, já não é a primeira vez que vomito essa falta que você me faz. Acho que algo em mim tem falado mais alto e não adianta discutir com isso, é inútil. Eu tento disfarçar, abstrair, não pensar, me afastar, esquecer, e acima de tudo, fingir, me ESCONDER. Porém escolhi o pior refúgio pra escapar de mim: dentro de mim mesmo...

Será que um dia terei coragem de externalizar isso? Talvez eu já o esteja fazendo, e você nem sabe, talvez nunca saberá e o segredo vai morrer onde nasceu, na mente de quem mente pra você tão fácil assim, na minha mente...


LIBERATO, Rodrigo. A saudade é a última que morre.

2009-11-22

Nosso outubro.







Temos nosso outubro, temos nossos corações, temos tudo. Temos tudo e nada. Temos o calor um do outro pra nos aquecer, independente se é inverno ou se já caiu a última folha do outono... E não temos nada pra nos apegar a não ser nesse sentimento que existe dentro de nós, que de alguma forma inexplicável se conectam, e precisam um do outro pra que a chama não se apague...

Seria impossível dizer que existe pra mim um mundo sem você. Eu ensaiei passos para uma valsa só nossa, mas é tão sem sentido, se eu não tenho o seu corpo colado no meu, a cada movimento...

O verdadeiro objetivo de se viver, é ter pelo que morrer, eu já descobri porque vivo, e é por você que eu morro... Morro de saudade dos teus abraços, morro de saudades da sua pele, morro de saudades dos teus sorrisos e até do seu olhar...

Hoje eu vou velar seu sono mais uma vez, e mais outra vez, e novamente... Porque tenho a certeza de que você está viva, e viva dentro de mim, e sei que um dia você dormirá um sono eterno, assim como eu...

Amanhã um novo dia vai nascer e a cada novo dia haverá uma nova desculpa pra não levantar da cama, pra não fazer a barba, não se alimentar. Ficar só ali admirando a chuva que cai do outro lado da janela e molha nossos corações aqui dentro, debaixo dos cobertores. E quando chega ao fim, leva embora todo o desespero do dia à dia, toda a mágoa, tudo que não seja puro e divino. Mas o que é o divino? Eu prefiro não tentar descobrir. Eu tenho meu próprio anjo, e isso é o divino pra mim...


LIBERATO, Rodrigo. Nosso outubro.